Fernanda Cruz
Marcelo Camargo/ABr
O único hospital veterinário público do Brasil, destinado a cães e
gatos, foi inaugurado há 41 dias na capital paulista e já anuncia a ampliação
do espaço físico. O novo prédio, que fica a 200 metros do antigo, se somará ao
já existente para que a equipe do hospital eleve a quantidade de atendimentos
em 20% a 25%.
De acordo com o diretor administrativo do hospital, o médico veterinário
Renato Tartália, tanto para o novo espaço físico quanto para a elevação do
número de animais atendidos, não haverá aumento no repasse de verbas. O
convênio estabelecido entre a prefeitura e a Associação Nacional de Clínicos
Veterinários de Pequenos Animais de São Paulo (Anclivepa-SP) garante R$ 600 mil
mensais por um período de um ano.
O custo do aluguel do novo prédio, segundo o diretor, será de R$ 9 mil
por mês. Com a ampliação, o hospital passará a ter salas para doenças
exclusivas de felinos - endocrinologia, oftalmologia, odontologia - mais duas
salas de cirurgia. Tartália conta que o prédio trará um novo fôlego para o
trabalho do hospital.
“A unidade atual é bem desconfortável para as pessoas, para os animais
e, principalmente, para os veterinários e funcionários que trabalham
praticamente 12 horas em condições difíceis”, disse.
Por mês, o hospital, que fica no Bairro do Tatuapé (zona leste), atende
aproximadamente mil novos casos. No total, são 25 veterinários que se dividem
em 40 atendimentos, em média, por dia. A unidade, na verdade, teria capacidade
para prestar apenas 33, conta Tartália.
Todos os dias pela manhã, às 8 h, uma fila de cerca de 25 pessoas se
forma em frente ao hospital. São distribuídas senhas e a gerente de atendimento
faz a seleção dos casos mais graves, que passam direto pela triagem. Os demais
casos são chamados conforme o grau de urgência. Pela tarde, o hospital atende
somente casos de emergência, que representam, na maioria, atropelamentos. No
mínimo, são atendidos cinco bichos por dia vítimas de atropelamento.
Mesmo diante das dificuldades em atender a alta demanda, a equipe do
hospital busca manter o padrão nas consultas. “A maioria dos animais, de 80% a
90%, já faz exames completos logo na primeira consulta. Hemograma, pressão
arterial, glicemia”, conta o diretor do hospital.
Para conseguir o atendimento, os donos dos bichos de estimação precisam
ser moradores da cidade de São Paulo, além de beneficiários dos Programas Bolsa
Família, Renda Mínima ou provar que não têm condições financeiras de arcar com
consultas e tratamentos veterinários. Para isso, a pessoa passa por uma
entrevista com a assistente social, que fica todos os dias na unidade, das 7h
às 16h.
O programa é voltado apenas para a população de baixa renda. O diretor
faz um apelo:“aqueles que podem pagar, continuem indo ao seu veterinário e
deixem as vagas para os que não podem.”
O público, de acordo com Tartália, além de não dispor de dinheiro para
levar seu bicho de estimação a uma clínica particular, é o que mais precisa de
orientação do hospital público. Nas periferias da cidade, conta ele, os animais
ficam soltos e raramente são vacinados e castrados. Isso eleva os índices de
reclamações feitas pelo número 156, da prefeitura, para que cães e gatos sejam
apreendidos e levados ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).
“Em 2001, foram 14 mil telefonemas. Isso não é aceitável, esse número é
uma vergonha, não condiz com o status que a cidade de São Paulo tem perante o
país e o mundo”, disse.
Cristiane Cerqueira Santos teve seu bichinho atendido no hospital. A
auxiliar de limpeza chegou na unidade com Barbie, uma cadela de 1 mês e meio de
vida, que nunca conseguiu andar. “Eu vejo ela se arrastando pelo chão e sofro
junto”, conta. No hospital público, Barbie passará pelo exame de raio-x para
que os veterinários definam se ela será operada ou se precisará de uma cadeira
de rodas para cães.
Outra cadelinha que passa por tratamento no hospital é Meg, de 3 anos. A
dona, a aposentada Maria da Glória Tozato, leva o animal todos os dias, há
quase um mês, para tratar uma infecção nos rins. Meg foi uma das primeiras
pacientes a receber atendimento. “Se eu tivesse que pagar por isso, nunca
conseguiria”, disse Maria.
O hospital atende das 8h às 18h, de segunda a sábado, na Rua Professor
Carlos Zagotis, Número 3, no Bairro Tatuapé, em São Paulo.

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